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7.7.11

Slow Food: bom, limpo e justo

Os sistemas de produção e consumo de alimentos mais comuns nos dias de hoje são nocivos para o planeta Terra e seus ecossistemas, e para os seus habitantes.
O sabor, a biodiversidade, a saúde de humanos e animais, o bem estar e a natureza estão sob ataque contínuo. Isto põe em risco o próprio desejo dos gastrônomos de comer e produzir alimentos e o exercício do direito ao prazer sem causar danos à existência dos outros e ao equilíbrio ambiental do planeta que vivemos.
O poeta agricultor Wendel Berry diz que "comer é um ato agrário", segue-se que produzir alimentos deve ser considerado um "ato gastronômico".
O consumidor orienta o mercado e a produção com suas escolhas e, aumentando sua consciência sobre estes processos, ele ou ela assumem um novo papel. O consumo se torna parte do ato produtivo e o consumidor se torna então um co-produtor.
O produtor exerce um papel importante no processo, trabalhando para alcançar a qualidade, tornando sua experiência disponível e acolhendo os conhecimentos e saber-fazer dos outros. 
O esforço deve ser comum e deve ser feito com a mesma consciência e espírito interdisciplinar, como a ciência da gastronomia. Cada um de nós é chamado a praticar e disseminar um novo, mais preciso e ao mesmo tempo mais amplo conceito de qualidade do alimento, baseado em três pré-requisitos básicos e interconectados. A qualidade do alimento deve ser:1) Bom: o sabor e aroma do alimento, reconhecido por sentidos educados e bem treinados, é fruto da competência do produtor e da escolha de matérias primas e métodos de produção, que não devem de maneira nenhuma alterar sua naturalidade.
2) Limpo: O ambiente tem que ser respeitado e práticas sustentáveis de agricultura, manejo animal, processamento, mercado e consumo devem ser levados em consideração. Cada estágio da cadeia de produção agro-industrial, incluindo o consumo, deve proteger os ecossistemas e a biodiversidade, salvaguardando a saúde do consumidor e do produtor. 
3) Justo: A justiça social deve ser buscada através da criação de condições de trabalho respeitosas ao homem e seus direitos e deve ser capaz de gerar remuneração adequada; através da busca de economias globais equilibradas; pela prática da simpatia e solidariedade; pelo respeito às diversidades culturais e tradições. Bom, Limpo e Justo é um apelo para um futuro melhor.
Bom, Limpo e Justo é um ato de civilidade e uma ferramenta para melhorar o sistema alimentar de hoje.
Todos podem contribuir para o Bom, Limpo e Justo através de suas escolhas e seu comportamento individual.

29.6.10

Sazón Latina - Bolivia - Com Gosto de América


No próximo dia 14 de julho, acontece o primeiro encontro do projeto Com Gosto de América. Trata-se de iniciativa parceira entre a Casa de Cultura da América Latina, as embaixadas e o atelier de artes culinárias Senza Parole. O evento inicia durante as Semanas Latinas, projeto que acontece todos os anos promovido pela CAL.
Neste primeiro curso, conversaremos sobre a história e a comida da Bolívia. Antropologia, música, política, serão alguns dos ingredientes que comporão este encontro de defesa da cozinha e dos ingredientes latino-americanos.
As inscrições são gratuitas e abertas a toda a comunidade.
Vamos todos e todas participar e divulgar este evento que é de todos nós.

Vamos juntos preparar:
Salteñas
Plato Paceño
Salsa Criolla
Llajwa
Pique Macho
Locro de las hijas de Maria y Santa Filomena
Leche Asada

14 de julho
9h
Laboratório de nutrição - UnB

Inscrições gratuitas

cursoscal@unb.br

23.4.10

Take it slow...


“O tempo não pára e ele ainda passa correndo” As imortais palavras de Cazuza ilustram o caos cotidiano. A correria do dia-a-dia criou uma brecha no mercado para tecnologias que facilitassem a correria da rotina. A migração do homem do campo para cidade, a mudança do papel da mulher e com isso a reestruturação dos hábitos alimentares das famílias criou uma grande demanda para os fast-foods, como o famoso Mc Donalds. As agroindústrias foram aumentando e se expandindo pelo mundo de acordo com o ritmo fast que as diferentes nacionalidades passaram a adotar. Não só as tecnologias foram se globalizando, mas também os costumes, as musicas e os sabores passaram a se unificar, perdendo a individualidade e características próprias de cada cultura.
Não havia nenhuma movimentação contra essa padronização de costumes e sabores. Até que em 1989, quando o primeiro Mc Donalds se instalou em Roma, um grupo de italianos se uniu e criou o Slow Food. O Slow food foi criado justamente para frear essa aceleração da vida cotidiana. Viver slow, comer slow, take it slow. Respeitando a sazonalidade e o tempo da natureza, controlando o impulso imediatista do ser humano.
O Slow food acredita que o alimento deve ser bom, limpo e justo. Bom de sabor, de qualidade, matéria-prima segura para ser consumida. Limpo pois o alimento deve passar por toda a cadeia de produção sem utilização de insumos químicos e prejudiciais à saúde humana, animal e sem exaurir o meio-ambiente. Justo porque o produtor deve receber um preço justo pelo seu produto.
Para que a filosofia não ficasse só no papel, o movimento criou vários mecanismos de intervenção para o combate à padronização alimentar. O Educação do Gosto ensina e estimula crianças, jovens e adultos a aprimorarem e memorizarem as habilidades sensoriais, d forma que o gosto do alimento se torne consciente e identificável na hora de comer. Esse projeto está presente nas escolas e nos coviviuns que são grupos de chefs e gastroapaixonados que se reúnem para discutir, fazer e comer comida. Além disso, o movimento criou a Arca do Gosto, que é como uma Arca de Noé de sabores. Ali são guardadas mudas e materiais genéticos de plantas que estão em risco de extinção afim de que se possa preservar a biodiversidade e as receitas, é claro.
Além disso, a cada dois anos é realizado o Terra Madre que é um congresso do Slow Food, realizado nas principais capitais do mundo. No Terra Madre são discutidos problemas e soluções sobre o meio-ambiente, alimentação e segurança alimentar. É claro que também é reservado um espaço para que os chefs desenvolvam pratos relacionados a Ecogastronomia, para que mostrem que é possível fazer um alimento político e ecologicamente correto muito saboroso.
Como disse Pedro Petrini, fundador do movimento, a pressa é inimiga da refeição. Por isso, diminuam o ritmo, comam mais devagar e aproveitem os sabores da vida!
Para saber mais sobre o moviento acesse: http://www.slowfood.com ou www.slowfoodbrasil.com

16.4.10

Gastronomia: um museu de grandes novidades

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O que nos une e o que nos separa na mesa. Receitas antigas que aportam carinho, aconchego e segredos lendários de anciãs. Agora veladas por falta de tempo, matérias-primas, contato com a família... No lugar da mandioca, trigo ou soja. No lugar da avó passando as receitas tradicionais da família em seu caderno roto, um site de receitas aberto para o mundo. O prazer de comer se reservou aos domingos, quando talvez se reúnem familiares e amigos. Porém quase sempre se come só, correndo, andando, entre um compromisso e outro. Perdeu-se o respeito pelo comer, apesar da Gastronomia estar tão em alta! Vejo releitura de pratos tradicionais, feijoada light, arroz carreteiro vegetariano... Cada maluquice sem sentido que torna o ato de se alimentar um momento de status ou segregação social! Comer não é para agregar valor e elevar a economia! NÃO! Comer é sagrado, é para elevar a alma! Come-se para se libertar das tristezas, “COMERmorar” alegrias e espantar as aflições diárias. E agora nos sentimos culpados por comer um doce no meio da semana, um brigadeiro é quase um crime. Afinal se nos permitirmos comer tudo que queremos nos desviaremos de um padrão estético pré-estabelecido de uma indústria milionária de esqueléticas. Modificamos a natureza a fim de atender nossas necessidades. Modificamos as nossas receitas por termos destruído e acabado com a nossa diversidade de matérias-primas. A troco de quê? Desenvolvimento econômico e tecnológico, para gerar mais produtos e consumo, mais lixo e mais destruição. No final das contas, inconscientemente, a necessidade gira em torno de destruir. E destruição sem transformação e reposição de recurso naturais nos deixará na fome.

9.4.10

Ecogastronomia: Sabores conscientes!

Engana-se quem pensa que a Gastronomia se restringe a uma cozinha fechada de um restaurante de luxo. Na verdade, ela começa a se moldar e se solidificar no preparo da terra onde serão cultivadas as matérias-primas. A forma que se trata a terra será a forma como os alimentos entrarão no nosso corpo. Portanto, é necessário que se respeite a terra como forma de respeito a nós mesmos.
É disso que essa coluna se tratará. A relação simbiótica entre a terra, ser humano e o produto dessa relação: a mágica de transformar as matérias-primas dadas pela terra em alimentos, receitas e, claro, Gastronomia.
Este é um espaço onde abordarei temas como agricultura familiar e sustentável, slow food e personalidades, eventos e restaurantes que colocam em prática a ecogastronomia! Espero que desfrutem e despertem a consciência de que somos parte de um todo e que devemos respeitar todas as outras formas de vida para que a biodiversidade continue nos fornecendo os ingredientes para as nossas receitas e, assim, possamos continuar nos alimentando de forma justa, segura e muito saborosa!

23.10.09

Slow Food e Saladas Natalinas - Casa Cor Brasília 2009

Como sempre, a Casa Cor Brasília 2009 estava belíssima. Destacados profissionais apresentaram seus trabalhos com Designs de tirar o fôlego. Os ambientes estavam bonitos e inteligentes e o tema da sustentabilidade provocou idéias geniais.
Na Gastronomia o destaque foi o Chef Dudu Camargo que, como sempre, surpreendeu os convidados com suas delícias que unem beleza, requinte e sabor.
Tivemos a oportunidade de participar deste brilhante evento em uma parceria do Sebrae e do Iesb com a oficina Slow Food e Saladas Natalinas Decoradas. O chef Adriano, a chef Graupner e a Chef Tainá Zaneti agradecem a presença de todos. Desde já, Feliz Natal a todos e todas!


9.10.09

Honest Food

Honest Food é um conceito que reúne os ideais da confort food, slow food, opt out, organic food, e demais movimentos progressistas da área.
Trata-se de produzir comida e consumí-la de forma consciente. Diz respeito aos "Sete Níveis da Alimentação:
Primeiro nível: comer mecanicamente de acordo com o apetite sem nenhuma consciência;
Segundo nível: comer de acordo com os desejos e satisfações sensoriais como gosto, cor, aroma e volume;
Terceiro nível: comer com uma satisfação emocional, como ambientes que apelem a um conforto sentimental (música, velas);
Quarto nível: comer de acordo com uma justificação intelectual como a das técnicas de nutrição e dos conceitos de calorias, proteína e carboidratos;
Quinto nível: comer de acordo com uma consciência social, como justa distribuição, consciência econômica, ética e moral;
Sexto nível: Comer de acordo com princípios ideológicos, como tradições religiosas e espirituais, convicções políticas, identidade cultural;
Sétimo nível: Comer de acordo com todos os níveis anteriores e com uma consciência livre, alimento que melhor de enquadra ao homem, meio ambiente, constituição e condição, seguindo a compreensão da ordem do universo para classificação física, psíquica e espiritual da consciência".
No final das contas é consumir a comida conhecendo sua origem, preferindo a agricultura familiar, comprando nos pequenos comércios, de comerciantes e agricultores locais, comida que não destrói o meio ambiente seja pelo predadorismo do extrativismo vegetal inconsequente ou pela contaminação da água ou destruição de biomas. Comida feita com ingredientes locais, respeitando a identidade cultural local. Comida que gera empregos e respeita o trabalhador dividindo de forma justa os frutos do trabalho. Comida que é remunerada com preço justo, o preço da matéria prima e da remuneração do trabalho sem as notas escorchantes cobradas pelos nouveaux chefs.
É comida com temperos que não deveriam jamais estar ausentes: cultura, consciência e honestidade.

Adriano Vasconcelos.

Slow Food

O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo. Leia mais...

Comfort Food

Comfort foods are familiar, simple foods that are usually home-cooked or eaten at informal restaurants. They are foods that are often emotionally significant to a person or group of people and are sometimes related to pleasant associations of childhood. Leia mais...