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23.12.10

Adriano Vasconcelos: Sobremesa natalina: Tronco de Natal

Este ano recebi muitos pedidos de receitas de sobremesa para as festas de fim de ano. Para não cair em lugar comum e inovar sem esquecer a tradição, marca da nossa revista, segue uma receita tradicionalíssima mas desconhecida de grande parte dos nossos leitores. Uma receita que é bonita, elegante e ao mesmo tempo muito fácil de fazer e que vai agradar a todos e especialmente às crianças. É o Tronco de Natal (bûche de Noël), receita obrigatória tanto nas mesas populares quanto nas elitistas da França. O tronco de Natal é uma homenagem ao nascimento de Jesus e representa a lenha que é acendida nas lareiras francesas para aquecer os ambientes e os corações dos decendentes de Asterix na época mais fria do ano naquele país. Segue uma receita que, claro, permite alterações e adaptações de formas, recheios e coberturas conforme o clima, os ingredientes disponíveis e a criatividade dos nossos leitores e leitoras. Aproveito para desejar a todos e todas um feliz Natal e um ano novo de paz e prosperidade para o nosso Brasil e para todo o mundo.
BÛCHE DE NOËL

Pão-de-ló fino para rocambole
12 ovos
120 g de farinha de trigo
120 g de açúcar
10 g de mel
Preparo
1 - Por o açúcar com os ovos na tigela da batedeira.
2 - Bater até o ponto de letra (é possível escrever uma letra com o dedo).
3 - Na metade do processo, incorporal o mel.
4 - Passar o preparo para uma tigela grande.
5 - Juntar a farinha peneirada.
6 - Misturar delicadamente com um pão duro (espátula).
7 - Espalhe, com o auxílio de uma espátula, o preparo sobre uma assadeira (placa) untada com manteiga e forrada com papel manteiga também untado com manteiga.
8 - Leve ao forno a 180º C por 10 minutos (até dourar).
9 - Retire cuidadosamente o papel manteiga mas reserve-o.

Recheio
75 ml de água
100 g de açúcar
4 gemas
250 g de manteiga sem sal (pomada)
30 g de café solúvel dissolvido em 20 ml de água quente
50 g de castanha de caju tostadas e quebradas
Preparo
Leve ao fogo a água e o açúcar misturados. Deixe ferver sem mexer até o ponto de bala mole (118ºC).
Bata rapidamente as gemas na batedeira e lentamente despeje em fio a calda quente batendo sempre por cerca de 10 minutos. Com um pão duro (espátula) misture a manteiga até deixá-la cremosa. Aos poucos, acrescente à mistura de ovos fria, batendo em velocidade baixa. Adicione o café dissolvido e bata mais um pouco até o creme ficar liso. Adicione a castanha de caju, misture, cubra com filme plástico e leve à geladeira por 20 minutos.

Cobertura
200 ml de creme de leite
200 g de chocolate para cobertura (meio amargo)
Preparo
Derreta o chocolate em banho maria, adicione o creme de leite, misture bem e reserve.

Montagem
Espalhe no lado dourado do pão de ló o recheio com o auxílio de uma espátula. Enrole o "rocambole" com o auxílio do papel manteiga reservado com o lado claro do pão de ló para fora. Aperte bem para ter um resultado melhor. Corte cerca de 1/3 do "rocambole" em diagonal e "cole" ao lado com um pouco do recheio ou da cobertura. Cubra todo o tronco com a cabertura. Risque com um garfo para obter as ranhuras que caracterizam o tronco. Enfeite com cerejas e hortelã ou manjericão. Resfrie antes de servir.

10.10.10

Heranças de Portugal: Arroz Doce

   "Podemos comer arroz doce nos quatro cantos do mundo, mas não há recanto em Portugal onde não se faça este doce, tão típico quanto diferente, dependendo de quem o prepara.
   Desde o século VI a.C. que há registos de arroz cozido em leite com açúcar. A chegada da cana-de-açúcar da Índia ao Médio Oriente, onde já se cultivava o arroz, marca a origem desta especialidade que perdurou até aos nossos dias.
   É possível imaginar que, muito antes, estes alimentos coexistiam na Índia e que, inclusivamente na Ásia, substituído o leite de origem animal pelo leite de coco, este doce era saboreado desde os tempos mais remotos.
   Posteriormente, a fama do arroz doce espalhou-se rapidamente por toda a Europa e a cor dourada que o melaço lhe conferia passou ao branco característico, já no século XIII, quando se começou a utilizar açúcar refinado. O século XVIII marca o momento do baptismo desta sobremesa, que revela todo o seu encanto em todos os livros de receitas europeus.
   Durante os últimos vinte e seis séculos, o arroz cozido em leite com açúcar conservou praticamente intacta a sua essência original.
   A sobremesa de arroz doce em Portugal reflecte esse desejo de manter vivas as doces tradições ancestrais. Servi-lo no final do almoço de domingo, ou em qualquer acontecimento digno de celebração, significa venerar um costume antigo e honrar os dias festivos.
   As inúmeras referências revelam esta aliança do arroz doce e determinadas datas do calendário.
   Sirva de exemplo o Natal que, nas aldeias e cidades portuguesas, é muito acarinhado nas suas tradições, convertendo a gastronomia no eixo central sobre o qual gira a celebração. Deste modo, e antes de se ir à popular Missa do Galo, não falta o prato de arroz doce e os doces conventuais que são com frequência servidos após um vistoso bacalhau cozido.
   Outro momento em que o arroz doce aparece é em muitas bodas portuguesas. Trata-se não só da sobremesa principal da ocasião, como é típico a família dos noivos oferecer arroz doce aos seus convidados uns dias antes da cerimónia. Actualmente, subsiste o mito de que a quantidade de arroz doce com que se recebe os convidados é proporcional ao grau de parentesco.
   Desde o aroma que lhe é oferecido pela canela, passando pelo toque subtil que a casca de limão lhe dá, e terminando na porosidade que o ovo lhe confere, o arroz doce português admite, na sua preparação, pequenas variantes que permitem personalizá-lo e torná-lo único em cada mesa".
fonte: Dias Festivos e Arroz Doce (http://www.saludaes.pt/Articulos/ver/dias_festivos_e_arroz_doce) Acesso em 10/10/10.
Arroz Doce
Ingredientes:
200g de arroz branco comum (jamais parboilizado);
1l de leite;
50g de manteiga;
300g de açúcar;
50 ml de Amaretto;
10 cravos;
5g de canela em pó
50 ml de água.
Preparo:
Cozinhe o arroz com o leite e a manteiga;
Quando estiver bem cozido, adicione água se necessário e deixe pegar fervura de modo a ficar bem caldaloso;
Com o açucar prepare um caramelo vermelho e derrame lentamente sobre a calda de arroz cozido;
Numa panela à parte ferva os cravos e a canela em pouca água e, com uma peneira fina, coe sobre o arroz doce;
Adicione o Amaretto, misture bem e desligue o fogo assim que estiver cremoso mas ainda com calda;
Esfrie tampado na geladeira e sirva polvilhado com canela em pó e enfeitado com cravos.