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21.2.11

Flávio Pimentel: Viandier

CASA DE GASTRONOMIA
Foto Marcelo Katsuki


Após bastante tempo sem postar, volto com um comentário sobre uma casa que visitei na sexta-feira, 18.02.2011, em São Paulo. Estive na Paulicéia para visitar uma feira de decoração. Explico: como estamos com um salão para eventos no Lago Sul (motivo esse que me afasstou deste espaço) fui ver as novidades em matéria de mobiliário para os eventos no espaço Dúnia City Hall. Em outra ocasião falarei desse assunto.
Mas voltando a São Paulo, a casa é a Viandier, localizada na Alameda Lorena, nos Jardins. É comandada por Gustavo Iglesias, que já trabalhou no Copacabana Palace e noo Mediterrané.
No almoço apresenta cardápio executivo a R$ 27,00 por pessoa, incluindo entrada, prato principal e sobremesa. Até ai nada demais. O comentário fica por conta do ambiente (e da comida, lógico). Tudo decorado no estilo de uma casa da metade do século passado, com móveis de época. O conceito do restaurante tem inspiração na obra Viandier de Taillevent, obra escrit por volta de 1380 por Guillaume Tirel, mais conheecido por Taillevent em virtude do tamnaho avantajado de seu nariz.
Estando em São Paulo, vale a pena uma visita ao local.
Logo estarei falando de outra casa visitada.

9.10.10

Restaurantes de Brasília - La Benedicta

Foto: labenedictagastronomia.blogspot.com
Flávio Pimentel: Olá, pessoal. Após um longo período afastado do nosso blog estou de volta. Estive extremamente ocupado com o trabalho, mas finalmente estou de volta à rotina normal. E, ontem, após um exaustivo dia de trabalho, resolvi sair para espairecer um pouco e, esposa a tiracolo, fui parar na comercial da 412/413 Norte. Qual ão foi minha surpresa ao ver que a comercial está se tornando um grande polo gastronômico, com muitas e boas opções. Tem, entre outras casas, o Houston, uma hamburgueria gourmet; o Dona Lenha Mediterrâneo; Bendito Suco, que era, o único que eu conhecia no local, onde estive há mais de ano e gostei, apesar de um terrível cheiro de esgosto no ar vindo da residencial. Felizmente ontem não o senti; o Café com Vinil, muito bacana. Mas como estava a fim de algo mais tranquilo acabei parando no La Benedicta, da Chef Ana Stellato.
Vamos à experiência. Fomos recebidos pela simpática Chef, que nos deu uma rápida explicação da proposta da casa, que é um bistrô italiano. Casa de decoração despojada, com sofás confortáveis, ambiente agradável e serviço bom, apesar de algumas falhas de um dos garçons.
Quando chegamos a casa estava vazia, com apenas uma mesa ocupada por um casal. Ficamos no fundo, de frente para a porta de entrada. Logo chegaram mais clientes e percebemos que o restaurante é bem procurado.
O cardápio e a carta de vinhos são bem resumidos mas com boas opções e bons preços. Pedimos um vinho Boscato Merlot 2007, 1/2 garrafa, de Nova Pádua na Serra Gaúcha. A falha do garçon começou nessa hora com o serviço de vinho, mas não chegou a prejudicar o bom conceito da casa.
Começamos com uma bruschetta de tomates confit e queijo cremoso, muito bem temperada e saborosa. Para ficar perfeita o pão deveria do tipo italiano e não francês como foi servida.
Senti falta no cardápio de uma opção de carne com corte alto e que possa ser servido ao ponto. Em termos de carne as opções eram escalopinho de filé e fricassé de cordeiro. Descrições muito tentadoras no cardápio, mas o corte alto de filé é fundamental.
Pedimos um robalo belle mauniere com arroz negro cremoso e um bacalhau grelhado com molho de tomatinhos e camarão, acompanhado de batatas ao murro. Confesso que o robalo, pedido pela minha esposa, me surpreendeu. Saboroso, tempero na medida certa e arroz negro muito bem preparado e com cremosidade fantástica. A alcaparra tem que ser lavada antes de usar na preparação por causa do excesso de sal.
O bacalhau não ficou atrás, estava ótimo. Gratinado e com aquela casquinha de queijo tostadinha complementando o sabor do peixe. Batatas cozidas no ponto certo e com tempero suave. Prato harmonioso. A única ressalva é quanto ao molho, poderia ser um pouco mais espesso.
Como o vinho com que iniciamos a noite era meia garrafa e acabou durante a degustação da bruschetta, pedimos um Sottano Malbec 2007, que harmonizou muito bem com o bacalhau, sendo que o mesmo nao se pode dizer em relação ao robalo. Mas a opção foi nossa.
No geral, podemos dizer que saimos muito satisfeitos. Nossa permanência na casa foi de aproximadamente duas horas, as quais passaram sem que nos dessemos conta. Avaliando a casa, atribuo nota 8.
Comentarei outras experiências nas próximas postagens.

8.7.10

MAGIA DA COZINHA




Primeiramente quero agradecer ao Chef Adriano Vasconcelos e à Rosy pelo convite para fazer parte desse time de primeira grandeza que colabora com o blog. Destaco o excelente trabalho realizado pelo casal em prol da gastronomia, promovendo a difusão dos conhecimentos adquiridos em longos anos de incansável trabalho na área.
Vendo o trabalho desse casal, ao participarmos do curso Sabores do Mediterrâneo, durante o qual degustamos pratos de sete países, podemos afirmar, sem medo de errar, que a cozinha é pura magia. Certamente são necessárias excelentes matérias-primas. E as técnicas culinárias, que são pura ciência, são importantíssimas. Mas a mão do cozinheiro com seu toque pessoal é um dom divino. Da soma de todos esses fatores é que surge a magia. Mas a magia branca, aquela boa.
De fato, sem desmerecer as madeleines de Proust, o que além de um prato consegue invocar um particular momento de nossa vida? Pode ser aquele que nos preparava nossa querida avó quando éramos pequenos; pode ser a primeira vez que provamos uma ostra; ou pode, ainda, ser o dia em que corajosamente nos aventuramos a cozinhar para uma mulher amada.
Claro que não precisa ser necessariamente um prato perfeito, degustado num dos famosos templos da gastronomia. Pode tranquilamente ser imperfeito, mas com a missão de ter sido o prato certo no momento certo. E a magia às vezes pode até mais: existem pratos sobre os quais apenas lemos, que não provamos jamais, que invocam um momento nunca vivido por nós, mas que habita nosso imaginário pessoal. Quem nunca desejou ter vivido na fabulosa Paris da Bélle Époque? Basta pensar num belo pato com laranja e aquele mundo é imediatamente invocado. Certamente um manifesto de Toulouse Lautrec ou a Torre Eiffel teriam o mesmo efeito, mas a cozinha tem o monopólio da magia invocativa...Nada consegue superá-la. Alguma coisa pode até estar à altura, mas superá-la nunca.
O que pode ser mais gaúcho do que um churrasco ou mais paraense do que o pirarucu com banana da terra? Ou até mesmo nossa deliciosa feijoada, apreciada por todos os brasileiros de todas as regiões do país, mas que à simples menção de seu nome nos remete ao jeitinho e jingado do carioca, com suas belas praias e lindas morenas. Nada.
A cozinha tem a vantagem sobre um Toulouse Lautrec o qual não pode ser degustado, mas as comidas sim. E no âmbito da própria comida, a magia torna-se fantasmagórica, surreal e assustadora: passamos, em questão de instantes, dos pampas gaúchos para o úmido e quente de Belém e dali para a brisa das praias cariocas.
Um prato, aliás, uma viagem, cansativa, mas a qual se completada, torna-se uma das mais belas brincadeiras do mundo. Brincadeira essa muito bem retratada no filme Ratatuille, na pessoa do crítico gastronômico Egon no restaurante parisiense Gusteau ao degustar o prato predileto de sua infância.
Semana que vem vamos falar de um produto que está tomando conta do noticiário gastronômico, a bottarga, iguaria italiana, mais precisameente da Sardenha, que estamos iniciando o processo de produção pioneira em Brasília. Temos obtido excelentes resultados alcançando níveis de qualidade e sabor compraráveis aos do país da bota.
Até a próxima semana.